Showing all 6 results

Há muitos séculos que o dom de contar estórias é intrínseco à cultura da Bengala Ocidental e o mesmo tem-se manifestado em diversas formas de arte. As pinturas Kalighat são uma delas. Criadas pelos Patuas, ou Chitrakars (um dos muitos grupos étnicos encontrados na região de Midnapore que se foram islamizando através dos tempos), as raízes das pinturas Kaligath remontam à cidade de Calcutá e a um templo aí construído em 1809 em honra da deusa hindu, Kali. Nessa altura, Calcutá era a próspera capital do Raj Britânico e o templo Kalighat com ela floresceu, vindo a tornar-se num importante centro de comércio da cidade. Entre os muitos peregrinos que vinham ao templo para adorar Kali estavam os Patuas (na altura artistas itinerantes) que, e atraídos pela perspectiva de fazer fortuna, deixaram as zonas rurais à volta da cidade para se estabelecerem nos bazares perto de Kalighat. Para sobreviver, os Patuas desviaram então os temas dos seus conhecidos patts (pergaminhos com imagens pintadas) do âmbito tradicional e iniciaram outras formas de pintura onde o discurso satírico se tornou o foco central. Originalmente, as pinturas eram feitas numa única folha de papel feita à mão e com tintas especialmente preparadas para elas. As pinturas abrangiam uma grande variedade de temas que iam desde o panteão hindu a eventos religiosos e sociais da vida comum da Calcutá do início do século XIX. Acessíveis, e representando apenas uma ou duas figuras de formas obesas (que podiam ser pintadas rapidamente), as pinturas Kalighat eram feitas de uma maneira simples e num fundo liso, para responder apressadamente à sua imensa procura. As pinturas tornaram-se tão populares que produziram o seu próprio género de arte e se transformaram numa Escola de Pintura, que fixou o seu lugar na História da Arte da Índia. A sua linguística visual impressionou e inspirou muitos artistas modernos de Bengala como, por exemplo, Jamini Roy (1887 – 1972). Curiosamente modernas, as pinturas Kalighat continuam o seu curso às mãos dos Patuas, sendo ainda hoje pintadas nas suas formas originais. A rica tradição destas pinturas é orgulhosamente passada de geração em geração, reclamando o legado do glorioso passado de Calcutá.

Na foto, a artista Mamoni Chitrakar, Naya Village , Bengala Ocidental.